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Ter gato é ser chamado para o presente
set 4, 2019
Por Izabella Camargo

“É impossível não sair do piloto automático quando um felino carinhoso e brincalhão está por perto.”

Cresci na zona rural do Paraná e bichos sempre estavam soltos. Só quando cheguei em São Paulo, com 16 anos, é que conheci os pets.

Fiquei namorando a ideia de adotar um cachorro por anos, mas pela falta de condições em oferecer um lar adequado, com passeios diários, a ideia não chegou na prática.

Porém, ao perceber que eu poderia e teria mais condições de adotar um gatinho, comecei a prestar mais atenção nas características dos felinos.  Das pessoas eu ouvia basicamente 3 coisas: gatos são ariscos, independentes e autolimpantes.

Fiquei com o autolimpante. Ser independente não é um problema, pelo contrário. Já ser arisco é uma interpretação equivocada na maioria das vezes ou uma experiência individual vivida, geralmente, no passado. Entendo que os filmes não ajudam. Os gatinhos normalmente aparecem como seres que vivem em latas de lixo, que são traiçoeiros… Entretanto, nada disso me convenceu. Apenas observava os comentários e esperei o momento certo.

Em 2008, com a eleição americana do presidente Barack Obama, tinha certeza que homenagearia a família mais inspiradora dos últimos tempos ao mesmo tempo em que descobri que o gato preto é bem difícil de ser adotado por “n” razões. Preconceito, preconceito e preconceito. Como sou uma quebradora de crenças por natureza falei com uma amiga para me avisar quando ela resgatasse da rua um gato preto. Seria o meu Obama. Mas, no dia tão esperado, não pude buscá-lo por estar de plantão na TV. O gatinho acabou sendo adotado por outra pessoa e esperei outro. Semanas depois apareceu outra.

Foto: Lucas Seixas

Michelle Obama chegou desconfiada, sempre colocava as unhas para fora, mas tive paciência para conquistar a confiança dela e mostrar que a realidade dentro de um lar seria bem diferente das dificuldades das ruas. Depois de 6 meses, totalmente adaptada à casa, quando eu chegava do trabalho ela estava elétrica querendo brincar. Logo pensei em adotar um irmão ou irmã pra ela. Afinal, assim como criança gosta de estar com criança, gato devia gostar de conviver com gato.

Hoje Michelle e Marty McFly, retirado das ruas e adotado também, convivem muito bem. São muito carinhosos, ronronam o tempo todo, brincam muito e querem chamar a minha atenção o tempo todo para brincar com eles.

Ou seja, nada de ariscos, nada de independentes. Aquela música do Titãs:” A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte…” se encaixa bem no caso deles!

Sobre a Michelle ser uma gata preta: não vejo nada de diferente de outros gatos. Essa crença de que gato preto não traz sorte é a maior barbaridade que algumas pessoas ainda alimentam.

Sou super a favor da adoção e a favor da ressignificação de crenças. Aliás, nunca parei na frente de um portão com a placa: cuidado, gato bravo!

Em tempo: seu gato bebe água? Come? Faz número 1 e número 2 todos os dias? Se lambe? Brinca? Então, parabéns, seu felino está bem feliz e, consequentemente, vai fazer peripécias que deixarão você feliz!

Aliás, uma dica: um gato pode dar mais trabalho do que dois!”.