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Seu animal de estimação também pode doar sangue
ago 15, 2018

Por Tatiana Beserra

Assim como os seres humanos, os pets também podem doar sangue. Porém, achar animais doadores pode ser um grande desafio. Muitas vezes, um doador compatível é encontrado, porém seu dono tem receio de fazer o procedimento, com medo de possíveis efeitos colaterais que o animal poderá sofrer.

A doação de sangue ainda não é tão conhecida por todos os donos de pet, e por isso, existe ainda uma carência de sangue animal disponível. A doação dura cerca de 10 minutos e são colhidos, em média, 450ml por animal.

Mas não se preocupe, pois a saúde do seu amigo é preservada durante o procedimento. Ele não sentirá dor ou será machucado. Os hospitais veterinários possuem banco de sangue canino e fazem a coleta em animais saudáveis para disponibilizar o sangue no caso de emergências veterinárias.

Vantagens para o cão doador

Para a realização da doação, será realizado um exame físico completo, check-up periódico além de exames como:

  • Hemograma completo: detecção de anemias e infecções assintomáticas;
  • Função renal: ureia e creatinina para verificar o funcionamento dos rins;
  • Leshmaniose (IFI): doença infecciosa transmitida por mosquito do gênero Lutzomyia;
  • Dirofilariose: verme que se instala no coração do cão causando doença grave;
  • Ehrlichia Canis: doença transmitida pelo carrapato em que o cão pode ficar assintomático por até 5 anos;
  • Lyme: doença transmitida pelo carrapato caracterizada por inflamações das articulações e febre;
  • Brucelose: enfermidade transmitida principalmente pelo acasalamento. O cão por ser assintomático ou apresentar abortos, febre e inflamações dos testículos e discos da coluna vertebral.

Vantagens para um gato doador

Além do exame físico completo e check-up periódico, serão realizados os seguintes exames:

  • Hemograma completo: detecção de anemias e infecções assintomáticas;
  • Função renal: ureia e creatinina para verificar o funcionamento dos rins;
  • Sorologia para FIV (imunodeficiência viral felina): doença viral altamente contagiosa que pode desencadear tumores e baixa imunidade;
  • Sorologia para FELV (leucemia viral felina): doença viral altamente contagiosa que pode levar a desenvolver tumores e baixa imunidade;
  • PCR Micoplasmose: doença que pode levar a anemia intensa;
  • Tipagem Sanguínea: avalia o tipo sanguíneo.

Requisitos para doar sangue

Para cães:

  • Ter entre 1 e 8 anos de idade;
  • Pesar mais de 27 quilos;
  • Ter vacinação e vermifugação atualizadas;
  • Ter controle de pulgas e carrapatos em dia;
  • Ausência de doenças e transfusões prévias;
  • Fêmeas não podem estar grávidas, amamentando ou no cio.

Para gatos:

  • Ter entre 1 e 7 anos de idade;
  • Pesar mais de 4 quilos;
  • Ter vacinação e vermifugação atualizadas;
  • Ter controle de pulgas e carrapatos em dia;
  • Ausência de doenças e transfusões prévias.
  • As fêmeas não podem estar grávidas, amamentando ou no cio.

Tipagem Sanguínea

Assim como nos humanos, o sangue dos animais possui uma tipagem e um fator tipo RH. A transfusão deve ocorrer em animais de mesma espécie, independente da raça. Então, um cão não poderá doar para um gato e vice-versa. Os cães e gatos possuem tipos de sangue diferentes, mas a tipagem não é igual ao do ser humano. Os humanos possuem 4 tipos sanguíneos diferentes (A, B, AB e O), os cães possuem 13 tipos sanguíneos e os gatos apenas 3. O fator RH, que indica a presença ou ausência de um tipo de antígeno do sangue, existe nos cães com o nome de fator DEA (Dog Erythrocite Antigen). Caso a doação não seja compatível com a tipagem, poderá levar à morte do animal.

Como é realizada a transfusão de sangue?

O procedimento é igual aos dos humanos: o sangue do doador é colocado no corpo do receptor por meio de um acesso intravenoso. O cão ou gato receptor poderá sofrer algumas reações adversas no momento da doação, mas essas reações são raras e brandas. Dentre as reações, os animais poderão apresentar enjoos, vômito, hipertermia ou hipotermia e geralmente passam rápido ou nem aparecem.

Antes do procedimento, o animal deverá estar em jejum de 4 horas, será necessário retirar uma amostra do sangue do animal para verificar se ele poderá ser doador. A amostra será extraída da veia cefálica localizada na perna ou na jugular, de onde será retirado o sangue a ser doado. Geralmente, corta-se o pêlo na região onde será realizada a coleta, para a localização da veia.

Após a realização da análise da amostra e se tudo estiver em ordem, os animais são colocados em uma mesa cirúrgica, preferencialmente de lado. Após acalmá-los e ficarem confortáveis, o veterinário vai inserir a agulha na jugular e retirará a quantidade máxima de sangue permitida para cada animal entre 5 e 10 minutos. Geralmente de 15% a 20% do volume sanguíneo pode ser doado. Ou seja, 16ml de sangue/kg para cães e entre 11 e 13ml de sangue/kg para gatos.

Os animais devem ter seu bem-estar constantemente monitorado e seu comportamento também poderá indicar potenciais problemas que possam ocorrer durante o procedimento. Caso fiquem agitados, provavelmente haverá algum problema durante o procedimento. Deve-se ter cuidado com a hipotensão nos gatos durante a coleta do sangue.

A bolsa de sangue deverá ser homogeneizada durante a doação para evitar que ele coagule. Se houver algum estresse do animal, a doação deverá ser interrompida.

Em alguns locais, ao terminar a coleta de sangue, os cães e gatos recebem algum tipo de premiação, como rações, água e petiscos, além de uma bandana que atesta que ele é doador.

Quando é necessário realizar a transfusão de sangue?

A transfusão é realizada somente em casos de emergência para corrigir uma disfunção sanguínea. As principais indicações para a realização de transfusão em seu pet são:

  • Hemorragia;
  • Atropelamentos;
  • Intoxicações;
  • Doenças transmitidas pelo carrapato;
  • Insuficiência renal;
  • Pancreatite;
  • Acidentes com picadas de animais peçonhentos.

Benefícios da transfusão de sangue

Para o doador, é garantido um check-up ao passar pelo processo da doação de sangue, e isso previne doenças e complicações que ainda não foram diagnosticadas.

Já para os receptores, pode-se garantir uma melhoria na saúde que está debilitada, recebem componentes 100% seguros, podem apresentar vantagens e menos riscos às reações negativas. Com isso, é possível efetuar testes de compatibilidade e tipagem sanguínea, realizados antes das transfusões.

Aonde levar seu pet para doar sangue?

A doação de sangue deve ser realizada em hospitais e laboratórios pet de confiança. O ideal é conhecer o local e o veterinário responsável pelo local com antecedência. O pet não adoece por doar sangue, porém caso o procedimento seja feito de forma incorreta, o risco disso acontecer é alto.

Os locais mais indicados para fazer a doação de sangue do seu pet são hospitais veterinários, laboratórios de análise clínicas veterinárias e hemocentros veterinários. Algumas faculdades de veterinária também fazem a coleta em associação com algum hospital ou laboratório de análises clínicas, mas ainda não é tão comum.

Assim como para o ser humano, existem bancos de sangue para pets que sempre estão necessitados de doadores. Em muitos casos, alguns animais morrem por não ter sangue disponível para a transfusão. Por isso, é de grande importância que os donos de pets sejam solidários e levem seus amigos para doar.

Importante: o tutor do doador sempre arca com os exames pré-doação, ou seja, há um custo para quem doa. Infelizmente não existe banco de sangue para animais gratuito. Mesmo que o doador doe de graça, o receptor sempre terá que pagar pela bolsa.

Crédito imagem: MOM Cães e Gatos