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NOTA SOBRE O TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES
By: Amanda
abr 30, 2020

O macaquinho da foto tem menos de um mês de vida – tão pouco tempo neste mundo, mas o suficiente para ser arrancado de sua mãe com o objetivo de ser vendido no mercado ilegal. Apreendido do tráfico, seu destino agora é incerto. Ninguém sabe ainda onde ele irá parar.

O tráfico de animais silvestres ainda é um assunto distante para muita gente. Há fantasias e elucubrações que rondam o imaginário popular quando, na verdade, o tema é bem real e assustador. Terceira maior atividade ilegal do mundo, a prática é responsável por tirar da natureza 38 milhões de silvestres do Brasil por ano. Só do Brasil, vejam só.

Quando as pessoas veem um animal silvestre na casa de uma celebridade e dizem que “ele não sobreviveria na natureza”, nós sabemos que a partir do momento que este animal foi retirado da natureza (com intenção de comércio, vale lembrar), provavelmente estará condenado ao cativeiro para sempre (muitas vezes com condições inadequadas). Além disso – e este ponto é o mais importante de toda esta história – o fato do animal ser legalizado, ou seja, ser reproduzido para fins comerciais, jamais pode e deve ser considerado algo natural. Não é porque o Estado permite que se deve fazer. A ética, que permeia todas as decisões das nossas vidas, também vale aqui. Se você quiser, pode matar um cachorro para se alimentar. Mas você faria isso? Até bem pouco tempo atrás era permitido mutilar um cão para ele ter uma aparência desejada. Você concorda com isso? É ético, então, comprar um animal que tem direitos próprios e que deveria viver na natureza, para aprisioná-lo e usá-lo como meio de entretenimento pessoal? É errado – seja o animal legal ou ilegal.

A partir do momento que um indivíduo compra um animal, seja legalizado ou não, ele está incentivando toda uma cadeia criminosa que corre muito além dos seus olhos. Há colecionadores particulares que saem em busca de espécies raras e, inclusive ameaçadas de extinção. Quem lhes conferiu o direito de retirar um animal da natureza para satisfação própria? De desequilibrar todo um ecossistema? De desrespeitar os direitos dos animais? Se este mesmo indivíduo que compra um animal for uma celebridade, é assustador pensar em toda (des)informação que ele estará perpetuando. Nos apavora pensar na quantidade de seguidores que tenderão a fazer o mesmo, a “copiar” seu ídolo. Artistas e famosos em geral têm uma parcela ainda maior de responsabilidade, uma vez que há uma legião de fãs que os seguem e os admiram. Se o que eles dizem e fazem é lei, comprar um animal (ainda que legalizado) é dizer a todos que isso está ok. É incentivar o tráfico. É nutrir essa rede doentia que machuca, fere e mata milhões de animais todos os anos. E quem não tem dinheiro para comprar um animal legalizado (que pode custar até centenas de milhares de reais), adivinhem onde irá comprar? No mercado ilegal, claro. Essa relação entre a compra de animais legalizados x tráfico é absolutamente direta, percebem?

O tráfico só existe porque há consumidores. Porque há pessoas que pedem, que compram, que encomendam animais como se fossem objetos. O consumo alimenta essa prática cruel. E o tráfico acontece não só através daquela figura clássica do traficante com centenas de animais, não. Não se engane: uma pessoa que vende um ou outro animal apenas de vez em quando também é um traficante.

Os animais não podem mais pagar a conta da nossa irresponsabilidade. Em meio à esta triste pandemia que estamos vivendo, fica aqui nosso apelo por mais humanidade e mais consciência. Nossa sociedade precisa acordar e entender que o nosso futuro (incluindo o futuro dos animais e de toda a natureza) é responsabilidade de cada um de nós.