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LISTA PET: O ALARMANTE COMÉRCIO DE ESPÉCIES SILVESTRES
fev 1, 2021

Em plena ascensão da Pandemia da Covid-19 – zoonose que surgiu com a exploração e venda de animais selvagens/silvestres para o homem, o Governo Federal junto da Abema (Associação Brasileira de Entidades de Meio Ambiente) vem articulando para lançar a Lista PET Brasileira, que tem o intuito de selecionar quais espécies da fauna nativa brasileira podem ser comercializadas em lojas e sites do Brasil.

Sabemos que muitos brasileiros ainda acham que animais silvestres, em especial os passarinhos, podem ser mantidos como animais de estimação. Mas o que pode acontecer nos próximos meses é a liberação de espécies ameaçadas de extinção, ou que nunca foram criadas em cativeiro no Brasil. Isso porque para se iniciar a discussão da Lista Pet o governo utilizou uma pré-lista que contêm todas as espécies que em algum dia foram permitidas a criação no Brasil. Mas quais foram os critérios para essas permissões, quais as condições para se manter estes animais e existem criadores com tais espécies sendo reproduzidas hoje? Estas são perguntas que não foram incorporadas no processo.

A pré-lista utilizada pela Abema em oficina realizada sem a presença de entidades conservacionistas ou ONG, contém espécies fora do imaginável, como Gato-Mourisco, Jaguatirica, Anta, Tamanduá, Flamingos, Gaviões e até um dos répteis mais raros do mundo a Jiboia-do-ribeira (Corallus cropani) que até poucos anos atrás nunca tinha sido observada viva por pesquisadores.
A pré-lista é tão alarmante que mobilizou a Sociedade Brasileira de Primatologia a lançar uma campanha #eunãosoupet, que mobiliza cientistas a defenderem a exclusão de qualquer macaco do comércio Pet. Estão em discussão para a entrada no mercado pet primatas de grande porte como macaco-barrigudo e macaco-aranha, além de saguis e macaco-prego.

A discussão em torno da Lista Pet vem se arrastando há anos, mas não parece haver um amadurecimento sobre os riscos desse perigoso mercado que pode afetar a saúde da população, a conservação da nossa biodiversidade e o bem-estar de milhares de animais. O que observamos é uma forte pressão para ampliar um mercado que aprisiona animais em sistemas de criação intensivo, sem regras claras de bem-estar animal, ou preocupações de tamanho de gaiolas ou recintos para animais que irão passar o resto de suas vidas em cativeiro.

A AMPARA Silvestre vai acompanhando o processo da Lista Pet e vai lutar para que animais silvestres não sejam transformados em meras mercadorias. Lugar de animal silvestre é na Natureza. #SilvestreNãoÉPet

Foto: João Carlos Medau