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Espécies ameaçadas, seus conceitos e funções

Quem nunca ouviu alguém falar ou leu por aí que determinada espécie é ameaçada, ou está em risco de extinção? Esses termos trazem preocupação à espécie citada. Mas, o que de fato significa esse termo de ameaça de extinção, por que e como funciona essa denominação?

Quando uma espécie está ameaçada de extinção, isso significa que ela tem grandes chances de desaparecer de maneira definitiva do nosso planeta em um futuro próximo, ou seja, de tornar-se extinta. Isso vale para espécies de animais, plantas ou fungos (cogumelos). Embora o processo de extinção ocorra de maneira natural na história do planeta Terra, atualmente, tem sido intensificado pelo homem, em especial, pela modificação do meio ambiente, caça, surgimento de novas doenças e competição por espécies invasoras (espécies que são introduzidas em um local ao qual elas não pertencem).

Com isso, conservacionistas passaram a avaliar a saúde ou o chamado “status de conservação” de várias espécies para entender e avaliar qual seu risco de desaparecimento. A classificação das espécies brasileiras se iniciou na década de 60 e apresentou 44 espécies de animais, incluindo mamíferos, aves e répteis, e 13 de plantas.

Mas a iniciativa de 1968 não apresentava uma metodologia definida, nem critérios bem estabelecidos. A organização que trouxe padronização foi a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês). A IUCN é a maior autoridade em classificar e estudar as espécies ameaçadas do mundo e, assim, criou o maior catálogo sobre o estado de conservação da biodiversidade – a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (em inglês, IUCN Red List ou Red Data List). Atualmente, a lista global de espécies ameaçadas conta com a avaliação de 128.500 espécies. Destas, 35.000 estão ameaçadas. Dentre os animais ameaçados, o grupo com maior número de espécies é dos anfíbios (40%), seguido dos mamíferos (26%) e as aves (14%).

Para a determinação do risco de extinção de uma espécie são analisadas e combinadas informações sobre tamanho das populações, distribuição geográfica, ameaças que afetam a espécie, características da espécie que possam interferir em sua resposta às alterações do ambiente (ex: taxa de renovação dos indivíduos reprodutores numa população) e medidas de conservação já existentes. Em linhas gerais, o conjunto de dados avaliados tenta responder a seguinte pergunta: “Qual a probabilidade de uma espécie tornar-se extinta em um futuro próximo, dado o conhecimento atual sobre sua distribuição, tendências populacionais e ameaças recentes, atuais ou projetadas?”.

Com os avanços nos estudos da conservação da biodiversidade, aliados à implementação de diferentes parâmetros de avaliação de risco de extinção das espécies, ficou cada vez mais clara a necessidade de se criar diferentes categorias ou classes de ameaça. Com isso foram estabelecidas nove categorias que partem de espécies menos preocupantes, em perigo de extinção, até extintas (ver descrição de todas as categorias abaixo).

As listas e categorias de ameaça representam uma importante estratégia em um cenário de limitação de recursos, sejam eles financeiros ou humanos, para se priorizar os investimentos em conservação de espécies. De modo geral, são ferramentas que auxiliam a indicar e priorizar quais espécies e grupos necessitam de maiores esforços de conservação para não sumirem do mapa.  Para o Brasil, são consideradas espécies ameaçadas, aquelas categorizadas como “Vulnerável” (VU), “Em Perigo” (EN), “Criticamente em Perigo” (CR) e “Extintas na Natureza” (EW).

O Brasil, por ser um país megadiverso, que abriga 13% de todas as espécies do mundo em seu território, tem um papel importante na conservação das espécies. Essa relevância frente a proteção dos animais silvestres ficou marcada na legislação brasileira com a Lei de Proteção à Fauna que, dentre outras disposições, deixa claro que os animais silvestres são propriedade do Estado, sendo proibida sua utilização, perseguição, caça ou apanha. Podemos assumir que este foi o início para a atenção aos riscos associados à extinção de uma espécie, como a perda de funções ecológicas e do equilíbrio de ecossistemas.

Não é à toa que o Brasil é uma referência no processo de avaliação de espécies ameaçadas, iniciando estas avaliações na década de 60, e publicando outras cinco versões e atualizações nos anos de 1989, 1998, 2003, 2014 e 2018. O Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, de 2018, publicado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), apresenta a avaliação de 12.254 espécies, incluindo 8.818 espécies de vertebrados – quase a totalidade de espécies conhecidas na época de sua elaboração.

Como resultado, esta lista indica que 1.182 espécies estão ameaçadas de extinção no país, além de 10 espécies extintas (1 mamífero; 6 aves; 1 anfíbio; e 2 tubarões). Os peixes são o grupo com maior número de espécies ameaçadas, seguido das aves, mamíferos, répteis e anfíbios. Mas apesar desse cenário não muito positivo para a fauna brasileira, cinco espécies que estavam ameaçadas em análises anteriores, tiveram melhoras consideráveis no estado de conservação de suas populações e não foram classificadas como ameaçadas: baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae), arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), albatroz-de-sobrancelha (Thalassarche melanophris), peixe grama (Gramma brasiliensis) e aranha-de-teia-de-solo (Anapistula guyri).

Com as atuais ameaças e a presente aceleração na extinção das espécies como consequência do nosso “desenvolvimento”, medidas como a elaboração de listas de espécies ameaçadas são indispensáveis para a realização de planos de conservação, além de serem peça-chave na gestão pública dedica à fauna silvestre e à sensibilização da população quanto à vulnerabilidade da nossa biodiversidade.

 

Categorias em que as espécies são enquadradas como não-ameaçadas de extinção:

Não Aplicável (NA): são espécies que não foram avaliadas.

Dados Deficientes (DD): são espécies com informações insuficientes para a definição do risco de extinção.

Menos Preocupante (LC): são as espécies que não apresentam risco eminente de extinção.

Quase Ameaçados (NT): são espécies em que os dados ainda não se enquadram em umas das categorias de maior ameaça, mas é provável que venham a se enquadrar em uma categoria de ameaça num futuro próximo.

 

Categorias em que as espécies são enquadradas como ameaçadas de extinção:

Vulnerável (VU): espécies com risco de extinção na natureza.

Em Perigo (EN): espécies com alto risco de extinção na natureza.

Criticamente em Perigo (CR): espécies com risco extremamente alto de extinção na natureza.

 

Categorias em que as espécies são enquadradas como extintas:

Extintas na Natureza (EW): quando não existem mais indivíduos vivendo na natureza, mas existem exemplares em cativeiro.

Extinto (EX): quando não existem mais indivíduos vivos, tanto na natureza quanto em cativeiro.