Ampara Animais Silvestres - Melhores ONGs

Blog

A relação dos animais selvagens com a COVID-19: a segunda onda!

Os estudos que tentaram traçar a origem da COVID-19 apontam para uma origem em animais selvagens comercializados em mercados. Mas, o que isso quer dizer?

O coronavírus, que antes infectava apenas animais selvagens – morcegos e/ou pangolins (uma mamífero com escamas) -, passou a infectar o ser humano. Isso foi favorecido pelo sistema cruel de aprisionamento e comercialização de animais em péssimas condições nos centros urbanos.

O mais alarmante é que este não foi o primeiro pulo de um vírus animal para o homem em decorrência do comércio de animais selvagens – MERS, SARS, Ebola, entre outros, são exemplos desse sistema que persiste em trazer maus-tratos aos animais e consequências desastrosas para nossa humanidade.

Mas, se o vírus é oriundo de espécies selvagens, qual o problema com as possíveis infecções de macacos, gorilas, tigres e outros animais com a COVID-19? O problema é enorme e tão preocupante que não sabemos quais as reais consequências para nossa fauna. Podemos enfrentar um processo de extinção de várias espécies. Isso porque podemos favorecer a transmissão de um vírus que antes não entrava em contato com estes animais, especificamente. Ou seja, eles não apresentam defesas.

Nesse cenário, o grupo dos primatas (macacos) é o que traz maior preocupação, por se tratar de uma espécie muito próxima, evolutivamente, de nós, humanos. Com isso, seria muito mais fácil ocorrer uma transmissão entre vírus humanos para os macacos. Um bom exemplo é a Febre Amarela, que afeta tanto macacos como seres humanos. Atualmente os grupos de animais selvagens de maior preocupação devido a possíveis casos ou ensaios laboratoriais são os carnívoros (ex: onças, lobos), xenarthras (ex: tamanduás, tatús), morcegos e primatas.

Importante colocar aqui, que não estamos falando que estes grupos de animais venham a transmitir COVID-19 para nós humanos, pois este vírus já circula entre nós – ou seja, os animais não teriam um papel em ampliar ou trazer maiores riscos. As preocupação é justamente o contrário, nós humanos que estamos trazendo risco para os animais.

Esta questão é tão relevante, que em agosto de 2020 o ICMBio, em parceira com diversas organizações do Brasil, publicou recomendações específicas para minimizar os riscos de transmissão da COVID-19 para animais. Aqui entram atividades de pesquisa, vista em unidades de conservação e/ou zoológicos. Sabemos que hoje existem milhares de animais em zoológicos e instituições mantenedoras e estes locais devem aplicar protocolos rigorosos para evitar qualquer possibilidade de transmissão entre funcionários e animais.

Uma relação saudável com os animais selvagens, mantendo-os protegidos em seu habitat, não realizando manuseios desnecessários, e preservando sua condição de bem-estar, sempre foi necessária para prevenir a transmissão de doenças de animais para humanos (zoonoses). Atualmente, a maior preocupação dos ambientalistas sobre essa proximidade desnecessária com a fauna está na possível transmissão de um vírus altamente contagioso dos humanos para os animais.

Assim, mais do que nunca, devemos usar a atual pandemia e aprender a nos relacionar de forma positiva com os animais selvagens, não participar ou praticar atividades que permitam contato ou aprisionamento de animais, respeitar seu habitat e comportamentos e, com isso, elevar suas condições de vida.

Esperamos que a atual pandemia realmente traga luz nas relações homem e animais.