Ampara Animais Silvestres - Melhores ONGs

Blog

A nova plataforma do tráfico de animais
jun 11, 2021

Tráfico de animais: um velho conhecido, de cara nova

Ao longo da história de desenvolvimento do nosso país, o tráfico de animais sempre
esteve presente. Seja na forma legal, com o intenso comércio de peles no início do
século XIX, ou pelas práticas irregulares dedicadas ao mercado pet, após a década de
70.

Com o crescimento das cidades, a região sudeste passou a ser o grande ponto de
escoamento do tráfico de animais no Brasil, e em muitos casos, a saída para o comércio
internacional. Mesmo com a criação de leis, autarquias do estado que visam a
proteção do meio ambiente e a criação comercial de silvestres, atividades ilícitas se
faziam presentes.

Para se ter uma ideia, como o comércio de silvestres, mesmo que legalizado, não
ajudou a coibir o tráfico no Brasil, a atividade de criação amadora de passarinhos
(chamados passarinhos canoros), até o ano de 2015, já havia registrado mais de 3
milhões de cadastros fraudulentos. Esse “comércio” é reconhecidamente um dos
sistemas de maior fraude e lavagem de espécies silvestres do Brasil. Boa parte desse
sistema de fraude, está associado a utilização de anilhas falsas e declarações de
nascimento falsas.

Diversos relatórios e estudos ilustram as rotas do tráfico no Brasil, com a extração dos
animais da natureza, ocorrendo no nordeste, centro-oeste e norte, com destino de
venda no sudeste. Por muitos anos, a compra e vende de silvestres traficados era
exclusiva de feiras de rua, pontos tradicionais do comércio de animais ou casas de
traficantes.

Hoje, em 2021, muita coisa já mudou na nossa sociedade. Mas o tráfico
continua retirando milhares de animais da natureza, ano após ano. Os números de
apreensões não apresentam redução, a população continua aceitando a criação de
silvestres como animais pet e o governo não consegue criar mecanismos eficientes
para conter o problema. Mas algo mudou no cenário do tráfico: o universo digital.

O que antes era um mercado mais restrito, onde o comprador tinha que ir até
determinado local, hoje é facilitado pelas redes sociais. Grandes plataformas digitais,
sejam de compra e venda ou apenas de redes sociais, se transformaram em vitrines
para o tráfico. Assim, os traficantes ampliaram seu alcance na sociedade.

Essa transição, não é exclusiva do Brasil, mas um padrão observado em todo o mundo,
para todos os tipos de comércio, desde animais vivos até suas partes, como chifres de
rinocerontes. As plataformas digitais permitem a troca de mensagens e transações
financeiras criptografadas, trazendo maior segurança aos traficantes. Em partes da
Ásia, os traficantes realizam vendas através de moedas digitais, o que dificulta a
rastreabilidade da compra.

Nesse contexto, o Brasil se torna um prato cheio para os traficantes, uma vez que a
população é extremamente adepta a utilização das principais plataformas, como o
Facebook e o WhatsApp. Segundo dados do IBAMA, já foram evidenciados mais de 1.200
animais à venda, mas sabemos que os números são muito maiores. Existem grupos
que comercializam animais exóticos (vindo de outros países), grupos dedicados às aves
que cantam, grupos para comércio de macacos, e até grupos dedicados ao comércio de anilhas (utilizada para lavagem de animais).

Você pode ajudar a combater esta prática nas redes sociais, basta denunciar esses grupos,
posts ou comentários que fazem referência ao comércio ilegal de animais silvestres.
Além do apoio da população, é preciso investir em inteligência nas ações de
fiscalização, para conseguir contornar as adversidades que o comércio digital impõe.

Outra parte importante é a cooperação das plataformas, para criar mecanismos de
alerta e banimento para conteúdos suspeitos.

Por fim, temos uma missão como sociedade para mudar a visão dos animais como
produtos, e passar a respeitar e protegê-los no lugar ao qual eles pertencem: a
natureza.

#SilvestreNãoÉPet